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quarta-feira, 16 de outubro de 2019

A PROVAÇÃO DE JÓ



Jô sentado no pó acompanhado dos seus quatro amigos 

OUVISTE QUAL FOI A PACIENCIA DE JÓ.
           
            O Apostolo Tiago na sua importante carta universal, cita o patriarca Jó como um exemplo de paciência e fé a ser seguido. Tiago. 5.11. Tal virtude, lhe rendeu a aprovação divina, e muitas bênçãos materiais, espirituais, sociais e familiar. Ele tinha todos os motivos para tomar um caminho diferente, haja vista ter sido provado duramente por Deus, tendo como seu executor o próprio Satanás.  
No primeiro capítulo do livro que leva o seu nome, vemos como tudo começou. Até então, Jó tinha uma vida prospera e sossegada. Gozava de todas as benecias das bênçãos materiais concedidas por Deus. Mantinha uma estreita comunhão com o Criador, com o qual, falava constantemente nas suas orações.  
Além das bênçãos espirituais, Deus lhe deu também muito gado, terras, servos, poder, gloria e uma numerosa e abençoada família, da qual, ele cuidava com muito carinho. Suas filhas eram as mais belas do Oriente.
Como era de se esperar, a prosperidade desse dedicado patriarca, despertou o respeito, a admiração e a amizade de muitos, assim como a inveja e a ambição de outros, entre eles, a Velha serpente, Satanás, o qual, andava ao “derredor” procurando uma oportunidade para o atacar.
Essa tão esperada oportunidade surgiu quando os “filhos” de Deus vieram se apresentar perante a sua face e no meio deles Satanás. Percebendo a presença do tentador entre os seus filhos, Deus lhe perguntou de onde ele vinha. “De rodear a terra e passear por ela”. Respondeu ele.
Na continuidade da conversa, Deus pergunta a Satanás se ele tinha observado Jó, homem sincero, reto, temente a Deus e se desviava do mal, assim, não havia na terra outro igual a ele.
Como era de se esperar, o inimigo não perdeu tempo e logo insinuou que o patriarca temia a Deus em função de tudo o que lhe tinha dado, mas se tocasse no que ele tinha, certamente blasfemaria do Criador. Conhecendo bem a integridade de Jó, Deus permite a Satanás tocar em tudo o que o patriarca possuía, menos na sua vida. Jó.1.12.  
Ao permitir a Satanás tocar nos bens aterias de Jó, Deus revela sua inteira confiança na integridade do patriarca. Sabia que ele era capaz de resistir à tentação sem blasfemar ou se desviar dos seus retos caminhos.
Ao sair da presença de Deus, o inimigo entrou em ação imediatamente e colocou em pratica o seu ardiloso plano destruidor. Primeiro, ele atentou contra os rebanhos de Jó, para isso, usou os sabeus para o assalto a mão armada. Estes, tomaram os rebanhos de bois e mataram os pastores, deixando apenas um para contar a história.
O segundo ataque sistemático foi contra as ovelhas, para tanto, o inimigo pessoalmente, fez cair fogo do céu e consumiu todos os rebanhos de ovinos bem como os seus pastores, deixando apenas um para levar a triste mensagem a Jó.
O terceiro ataque foi contra os camelos do patriarca, o instrumento utilizado desta vez, foram os caldeus, os quais, divididos em três grupos, tomaram todos os animais e mataram os homens que cuidavam deles, deixando apenas um para levar a notícia.
Por último, o inimigo, investiu contra os filhos de Jó, enquanto estes se divertiam em uma festa na casa do mais velhos dos irmãos. Para tanto, o inimigo, usou a as forças da natureza, provocando uma grande tempestade, a qual, sobreveio sobre a casa lançando-a sobre os dez filhos do patriarca, os matando a todos de uma só vez, apenas um servo que estava no local, escapou para levar a mensagem do desastre ao seu senhor.
» - As reações de Jó ao receber tantas notícias ruins.
Diante de tantas notícias ruins, ocorridas no mesmo dia, o integro patriarca, abatido, agiu de forma digna de um herói da fé reconhecendo o difícil momento pelo qual passava, mas sempre acreditando em Deus.
Primeiro ele se levantou, rasgou o seu manto, rapou a cabeça, se lançou em terra e adorou a Deus declarando a sua fé: “Nu sai do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor. Jó. 1.20-21.
Mesmo passando por um momento de sofrimento e dor, o patriarca agiu dignamente, não culpou a Deus ou ao próximo pelo que estava passando, mas em tudo isso ele não pecou ou atribuiu a Deus falta alguma. 
A reação de Jó diante de tantos infortúnios, oriundos da ação direta de Satanás é digna de reconhecimento de um homem de fé inabalável. Ele tinha todos os motivos para reclamar e culpar Deus ou próprio Satanás pelo infortúnio, no entanto, agiu de forma totalmente diferente. Primeiro, ele se humilhou rasgando as vestes, raspando a cabeça, se lançando em terra e adorando o Criador.
Somado a isso, Jó ainda confessou resoluto reconhecer que tudo o que tinha fora dado por Deus, assim, como ele o deu também tirou, bendito seja o nome do Senhor.
» A adversidade e a real aflição de Jó.
Passado um período da primeira investida do inimigo contra Jó, houve outra reunião no céu, entre Deus e seus filhos e, mais uma vez, Satanás aparece entre os presentes. Indagado por Deus se tinha observado a integridade de Jó, mesmo diante de todas as perdas e sofrimento pelos quais passava, o inimigo respondeu ironicamente:
Pele por pele, e tudo quanto o homem tem dará por sua vida. Estende, porém, a tua mão, e toca-lhe nos ossos e na carne, e verás se não blasfema de ti na tua face”. (Jó.1.4-5).
Percebe-se a fúria de Satanás contra Jó. Até então Deus não tinha permitido tocar na saúde do patriarca, mas apenas nos seus bens materiais e nos seus filhos, no entanto, ele queria mais. Desejava atingir a sua próprio saúde, levando-o assim o seu sofrimento. Diante da insinuação do inimigo, Deus o permitiu tocar no patriarca, no entanto, deveria poupar-lhe a vida.
Saindo as presença de Deus, o inimigo não perdeu tempo, tocou em Jó e o feriu com terríveis chagas malignas, do pé até a cabeça, lhe causando dores insuportáveis, a ponto do patriarca se isolar do convívio familiar e social e se lacando na cinza, e para amenizar as terríveis dores, usava um caco de telha para coçar as feridas.
A situação de Jó era tão lamentável que parecia um mendigo, maltrapilho, com o corpo coberto de feridas e jogado na cinza. Em pouco tempo, ele perdeu tudo o que tinha; o gado, fazendo, filhos, amigos e a própria saúde. Não tendo mais nada ou alguém a pudesse recorrer, a não ser o próprio Deus em que ele cria, tendo a certeza que o seu Redentor vive.
A sua própria mulher, a qual, sofria juntamente com ele, abatida e abalada, física e emocionalmente, principalmente pela perda dos filhos, vai até Jó e o aconselha: “Ainda reténs a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e Morre”. Jò.2.9.
Em parte é até compreensível a reação da mulher de Jó, afinal, ela sofria juntamente com o marido, e isso a deixou muito abatida. Diante de tanto sofrimento, e não possuindo a mesma fé e estrutura emocional do marido, ela por momento, achou está tudo perdido, assim, a melhor saída, na sua visão, seria abandonar a fé, amaldiçoar a Deus e morrer.
A resposta de Jó à sua mulher foi imediata. Ele disse a ela que agia com loucura, pois, assim como recebemos o bem de Deus, podemos receber também o mal. Ou seja, ele tinha consciência de que tudo o que estava acontecendo com ele, havia uma vontade permissiva divina. Durante a sua vida tinha recebido muitas bençoes espirituais e materiais e agora que recebia algo ruim, não podia abandonar sua fé e muito menos amaldiçoar a Deus; preferia esperar na sua vontade. E em tudo isso Jó não pecou contra Deus. Jò.2.10.
No fim de toda a provação, Deus se manifestou a Jó e lhe restituiu tudo o que tinha antes em dobro. Inclusive filhos sadios e abençoados. Suas filhas, eram as bonitas do Oriente. Com isso, o patriarca viveu ainda muitos anos repletos de saúde, riquezas, família e felicidade.

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