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quinta-feira, 24 de outubro de 2019

O PRINCIPIO DO ACONSELHAMENTO


O PRINCIPIO DO ACONSELHAMENTO

Onde não há conselhos, frustram-se os projetos; mas com a multidão de conselhos se estabelecem.  Pv.15.22.

Antes de tomarmos qualquer decisão importante, é bom ouvirmos pelo menos dois conselheiros diferentes, de preferência com experiências e visão de mundo diversas. A decisão final será sua, no entanto, antes de bater o martelo você ouvirá pessoas sabias ou ler bastante sobre o assunto.
O princípio do aconselhamento irá nos mostrar o quanto é importante ouvirmos pessoas experientes e sinceras antes de tomarmos algumas decisões relevantes para e para outras pessoas diretamente interessadas nelas. Por falta de sábios conselhos, líderes do passado e do presente, cometeram erros irreparáveis, os quais, lhe causaram sérios prejuízos.
Os conselhos se tornam mais importantes ainda quando se trata de tomada de decisões relacionadas ao interesse e à vida do próximo. Nesse caso, é importante, ter muita cautela e segurança a fim de não cometer erros e injustiças, bem como causar prejuízos às pessoas envolvidas diretamente no problema.
A situação em julgamento, deve ser analisada de vários ângulos diferentes e não apenas de um. Isso seria péssimo. Os japoneses costumam afirmar que por mais pequena que seja uma pedra, ninguém nunca consegue ver todos os seus lados ao mesmo tempo. Gandhi afirmava que toda verdade tem sete lados, ninguém consegue ver todos.
Quando mais cabeças pensando na resolução de um problema, há mais probabilidade de tomada de decisão acertada, isto porque o problema é visto por óticas e dimensões diferentes.  
É verdade que errar é humano, no entanto, permanecer no erro é burrice. Repetir o mesmo erro mais de uma vez é uma demonstração de falta de sabedoria e boa vontade de fazer a coisa certa.
A pratica de ouvir mais de um conselho é recomendado pelo sábio Salomão no livro de Provérbios (24.5,6). “ Mais pode ter o sábio do que o forte, e o homem de conhecimento do que o robusto. Com as medidas de prudência farais a guerra; na multidão dos conselheiros está a vitória”.
Procure sempre aprender com um sábio mais do que você. Ao ouvir uma pessoa verifique cuidadosamente, se ela age com boa-fé, analise seu passado e sua experiência e procure se informar se ela tem interesses pessoais no assunto em questão.  A dialética é sempre muito importante para se chegar a uma conclusão sólida e bem-fundamentada. Por isso, mais de uma opinião é muito importante sempre, antes da tomada de uma decisão relevante.  
Quando tratamos de conselhos bíblicos, vamos encontrar vários descritos nas páginas sagradas. Direcionados para a família, para os pais, os filhos, os jovens, negócios, sabedoria, entre outros. Até para os tolos. Vejamos alguns deles a seguir:
» - Conselho para os pais disciplinarem os seus enquanto estes ainda são pequenos. A impor-lhes limites. A repreensão pode levá-los de problemas futuros, inclusive da morte.  Pv.23.13.14.
Nesse texto, Salomão orienta os pais a ensinar as crianças impondo-lhes limites, mostrando o que é certo e errado. O que podem fazer e o que não podem.  Aqui o autor usa o termo “ fustigar com vara”. Não vamos entender esse posicionamento como um incentivo a violência doméstica contra as crianças, mas impor limites a elas, sempre com carinho e amor, pensando sempre no bem e no desenvolvimento sadio e equilibrado.
» - Somos aconselhados a buscar a sabedoria e tomar o caminho correto. Não andar com pessoas que bebem muito, não beber e nem comer demais, pois, os beberrões e glutões acabarão mal, pedindo esmolas e vestindo trapos.
» - Conselho aos filhos a escutarem os conselhos dos pais com todo respeito e não abandonar as mães na velhice. A comprar a verdade, a sabedoria e o entendimento. Pv.23.22-23.
√ - Os bons e maus conselhos.
No livro de segundo a Samuel, encontramos um fato interessante, quando um jovem príncipe, chamado Absalão, querendo usurpar o trono do próprio Pai Davi, reúne seus conselheiros a fim de ouvir suas opiniões em relação a um plano estratégico para atacar Davi e seu exército fugitivo. 2. Rs.16.15-17. Ele perguntou aos conselheiros Aitofel e Husai:
Dai conselho entre vós o que devemos fazer”. 2. Rs.17.20
O inexperiente Príncipe, antes de partir em perseguição ao seu próprio Pai, um guerreiro experiente, quis saber qual a opinião dos seus conselheiros de confiança. Se bem que um deles, Hasai, tinha ficado na corte estrategicamente para esse fim.  
O primeiro a falar foi Aitofel, o qual, aconselhou Absalao a cometer uma serie de desatinos, incluindo desonrar a reputação do próprio Pai, deitando-se com suas concubinas em praça pública e preparar um grande exército composto por doze mil homens e atacar Davi enquanto este ainda estava cansado da viagem.
O jovem usurpador e inexperiente, sedento por poder seguiu o conselho de Aitofel em parte, deitando-se com as concubinas de seu Pai publicamente, no entanto, quanto ao reunir um grande exército imediatamente e sair no encalco do Pai, preferiu ouvir antes o conselho de Husai.
Husai, era um conselheiro muito experiente, e amigo em particular do rei Davi. Tinha ficado no palácio em Jerusalém, estrategicamente para esse fim, ou seja, orientar o jovem Absalao de forma que favorecesse Davi.
Ao iniciar sua fala, disse a Absalao não ser prudente o conselho de Aitofel, pois, conhecia muito bem a Davi e os homens que estavam com ele. Sua valentia e experiência em batalhas. Ataca-lo naquelas circunstâncias, seria um suicídio. O prudente a fazer naquele momento, reunir um grande exército de todas as tribos de Israel e de forma planejada e organizada, saísse em busca de Davi, e que ele próprio comandasse o exército.   
Mesmo inexperiente, o jovem Absalao refletiu um pouco sobre os dois conselhos recebidos, e chegou a uma decisão a qual, anunciou a todos os presentes: “Melhor é o conselho de Husai, o arquita, do que o conselho de Aitofel...2. Rs.17.14.
Outro conselho dado a um rei foi registrado no livro de Segunda a Crônicas capitulo dez. Quando Roboao, sucessor de Salomão, seu Pai, quis saber a opinião dos conselheiros sobre as altas taxas tributarias cobradas à nação israelita pelo seu pai e antecessor.
Primeiro falaram os anciãos do povo, os quais, lhe aconselharam a ser benigno e afável com o povo, dessa forma, não apenas a acalmaria os ânimos exaltados como ainda teria o apoio e o reconhecimento da nação. Roboão, no entanto, em vez se seguir o sábio conselho dos anciãos, chamou alguns jovens, amigos de infância e também pediu a sua opinião. Os quais, o aconselharam a dobrar os impostos e ainda ameaçar a açoitar os que desobedecessem às suas ordens.
Ele, levado pela emoção e prepotência, ajudada pelo conselho dos seus amigos de infância, decidiu obedece-los e agiu da forma como eles o aconselharam. Suas palavras duras, causaram muita tristeza e revolta às pessoas. As quais, voltaram para suas casas muito decepcionadas com o novo rei.
Revoltadas contra a insensibilidade de Roboao, o povo se uniu e foram buscar no Egito a Jeroboão, um ex-servo de Salomão, o qual, ungiram rei sobre dez tribos de Israel, ficando apenas duas sob o governo de Roboão. Com isso, pela primeira vez a nação judaica foi dividida em duas, reino do Norte (Israel) e reino do Sul (Judá e Benjamim).
Como visto, Roboão deixou de ouvir o sábio conselho dos anciãos para seguir o dos amigos de infância. Conselho este que custou a divisão do reino de Israel, muitas guerras e mortes.
É muito importante, em qualquer circunstância da vida, ouvirmos conselhos de pessoas confiáveis, sabias e experientes antes de tomarmos uma decisão importante. Eles poderão ser muito uteis e nos livrar de muitos problemas os quais poderão nos causar grandes prejuízos.

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