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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

O PRINCIPIO DO AUTOCONTROLE


O PRINCIPIO DO AUTOCONTROLE

Mais vale controlar o seu espirito do que conquistar uma cidade. Pv.16.32.

            Ter autocontrole é aprender a lidar consigo mesmo. É pensar a longo prazo. Avaliar as consequências de cada ação. Ter a ideia exata de que tudo o que você faz, o aproxima ou afasta do seu objetivo principal definido.
Podemos dizer que autocontrole consiste basicamente na capacidade humana que ajuda a controlar os impulsos de nosso caráter. Ele nos ajuda a enfrentar com calma e serenidade os problemas e os contratempos normais da vida. Consiste ainda no controle dos impulsos e das reações diante da recepção de determinados estímulos a partir de algumas técnicas e regras gerais.
O autocontrole na nas Escrituras Sagradas é também chamado de Domínio próprio e aparece na relação dos frutos do Espirito, registrado na carta aos Gálatas (5.22-23). Vejamos: “Mas o fruto do Espirito é: Amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, DOMINIO PROPRIO. Contra estas coisas não há lei.
Partindo desse princípio bíblico, o autocontrole ou domínio próprio é um dom ou fruto concedido ao cristão pelo Espirito Santo, a fim de ajudá-lo a ter o domínio sobre as suas próprias ações e reações.
Dominar a si mesmo (o que não é uma tarefa fácil) deve ser uma das principais características de um cristão e principalmente, de um líder em qualquer esfera do poder. O autocontrole nos permite tomar decisões acertadas baseadas na razão, na ética e na justiça.
Nesse difícil processo de autocontrole, é importante aprender a controlar também a mente, o corpo e o tempo. Quem não tem a capacidade de se autocontrolar, dificilmente, dominará alguma coisa.
» - Como um vencedor. Na primeira carta aos Coríntios, Paulo faz uma análise do autocontrole, fazendo uma comparação entre o cristão e um atleta profissional. Destacando algumas habilidades e metas a serem alcançadas por ambos.
Ele diz que os atletas profissionais correm nos estádios todos com o mesmo objetivo, no entanto, só um leva o prêmio de vencedor. Assim como um lutador profissional também luta para alcançar uma premiação chamada por ele de “coroa”. Dependendo da modalidade, esportiva, pela qual compete, o vencedor pode receber como premiação uma medalha, uma taca, um cinturão ou até mesmo uma premiação em dinheiro.
Assim como os atletas, somos estimulados a fazer o mesmo na vida espiritual. A diferença, no entanto, estar na premiação; enquanto os primeiros recebem prêmios incorruptíveis, nós receberemos os incorruptíveis e eternos.
Em seguida, Paulo cita o seu próprio exemplo afirmando não correr na incerteza e combater sem convicção “batendo no ar”, mas antes, subjugando o seu corpo e o reduzindo à servidão, a fim de que no fim da luta não seja reprovado. 1. Co.9.24-27.  
Uma análise mais profunda do texto em foco, chegaremos à conclusão que tanto os atletas profissionais como nós cristãos para alcançarmos nossas metas e objetivos, precisamos desenvolver algumas habilidades importantes, tais como:
- Correr como um vencedor – De tal maneira que alcanceis.  
- Fazer sacrifícios – De tudo se abstém.
- Ter fé e confiança – Não como a coisa incerta.
- Agir com inteligência e objetividade – Não como batendo no ar.
- Ter domínio próprio e autocontrole – Subjugando o meu corpo e o reduzindo à servidão.
Todas essas habilidades mencionadas por Paulo, retratam uma ação, determinação exercitadas com um objetivo maior e mais importante; alcançar a vitória almejada, seja nas pistas de corrida, na corrida espiritual no exercício da fé ou em outra área da vida.
Assim como essas desportistas profissionais, nós cristãos igualmente devemos exercitar nossas habilidades, dons e talentos concedidos por Deus e distribuídos pelo Espirito Santo, a fim de alcançarmos o nosso objetivo principal: a vida eterna e por fim, premiações incorruptíveis entregues pelo próprio Senhor para os vencedores.
 Saber controlar a si mesmo serve como proteção, e evita muitos problemas e aborrecimentos para nós mesmos e para os outros.
» - Evitando as intimidades nas relações.
Dar muita intimidade aos outros, cria uma verdadeira entrada para os problemas. Talvez fosse pensando nisso que o sábio Salomão disse: “Aquele que não pode conter o seu espirito é como uma cidade elevada, que não tem muros”. Pv.25.28.
Tanto nas relações de trabalho, quanto nas sociais e espirituais, devem haver limitações de intimidades. Não pense que porque uma pessoa trabalha com você ela é sua amiga de verdade.  Abrir o coração e falar tudo o que está sentindo, pode lhe causar grandes problemas e muita dor de cabeça. Da mesma forma, devemos evitar querer saber das intimidades das outras pessoas.
No texto citado acima, o autor diz que a pessoa que não consegue controlar o seu espirito (emoções) é como uma cidade elevada, mas que não tem muros para a proteger. Com isso, fica totalmente desprotegida, e vulnerável a invasões inimigas a qualquer momento.
Isso não significa, no entanto, que devamos nos tornar uma pessoa fria, seca ou insensível com os problemas dos outros, mas pelo contrário, devemos nos preocuparmos com eles. Apesar disso, devemos manter os muros de pé. Ele evita a entrada de cobras, escorpiões e outros animais peçonhentos.
Na nossa vida diária, seja no trabalho, na igreja, na família, no transito ou mesmo em casa, é comum nos irritarmos com algo que não nos agrada ou não estar de acordo com o que pensamos e queremos. Isso é uma reação natural do ser humano, agora de que forma lidamos como ela é que faz toda a diferença.
Os conflitos e desentendimentos, são inevitáveis em todos os lugares quando se trata de relações humanas, às vezes, elas se tornam até necessárias para que haja um entendimento. Conviver com outras pessoas é um desafio, o qual, só poderá ser superado, mediante o diálogo, o amor, a compreensão e o autocontrole individual.
» - Aprendendo a lidar com os nossos sentimentos e emoções.
Para não sofrermos e fazermos as outras pessoas sofrerem, precisamos aprender a lidar como nossos sentimentos e emoções, bem como compreender igualmente os sentimentos dos outros.
Para tanto, precisamos permitir a Deus nos conceder o domínio próprio, o qual, às vezes é também entendido na Bíblia Sagrada como temperança. Esse importante fruto do Espirito, estar diretamente relacionado à mansidão também citada na relação dos frutos do Espirito Santo.
Jesus, nosso maior exemplo de mansidão e domínio próprio, nos dá um importante conselho, relacionado a esse princípio bíblico: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma”. Mt.11.29.
O Mestre de Nazaré tinha autoridade para falar sobre o assunto, pois ele mesmo deu muitas demonstrações de autocontrole quando lhe exigido tal reação. Podemos citar por exemplo, quando ele foi traído por Judas Iscariotes, um dos seus apóstolos no Jardim do Getsemani, fora dos muras de Jerusalém.  Apesar de toda a angustia que sofreu, dominou sua natureza humana e reagiu com calma e humildade, chamando o traidor de amigo. Inclusive, acalmando os aflitos ocasionado pela tensão do momento.
Quando foi cuspido, acoitado, escarnecido, blasfemado, agredido e crucificado, não reagiu ou mesmo reclamou de estar sendo injustiçado, muito menos proferiu palavras agressivas ou de maldição contra os seus executores, mas mante-se calado, humilde, como uma ovelha levado para o abatedouro, não abriu a sua boca.
Há ainda muitos outros exemplos de autocontrole, praticados por Jesus durante o desempenho do seu ministério terreno, por isso, Ele poderia nos recomendar com muita propriedade: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração”.
Por outro lado, ausência de autocontrole, pode gerar intolerância, ações precipitadas, discussões desnecessárias, entre outras ações e reações nocivas à uma relação harmoniosa, as quais, podem gerar resultados negativos em nossas vidas.
Diante da situação agravante, de violência e desentendimentos em que o mundo vive, é importante, aprendermos agir como mansidão e domínio próprio em todas as circunstâncias da vida. Mesmo que isso às vezes seja necessário, a humilhação e prejuízos. Conselho este feito por Paulo e Tiago. (Gl.6.1; Tg.3.13).
Esteja aberto aos bons relacionamentos. Não confundindo construir muros de proteção com erguer muros nas relações. Alguns muros são benéficos, pois, como diz o datado popular: “Uma boa cerca, produz ótimos vizinhos”.

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