O
PRINCIPIO DO AUTOCONTROLE
Mais vale controlar o seu espirito do
que conquistar uma cidade. Pv.16.32.
Ter autocontrole é aprender a lidar
consigo mesmo. É pensar a longo prazo. Avaliar as consequências de cada ação.
Ter a ideia exata de que tudo o que você faz, o aproxima ou afasta do seu
objetivo principal definido.
Podemos
dizer que autocontrole consiste basicamente na capacidade humana que ajuda a
controlar os impulsos de nosso caráter. Ele nos ajuda a enfrentar com calma e
serenidade os problemas e os contratempos normais da vida. Consiste ainda no
controle dos impulsos e das reações diante da recepção de determinados
estímulos a partir de algumas técnicas e regras gerais.
O
autocontrole na nas Escrituras Sagradas é também chamado de Domínio próprio e aparece na relação dos
frutos do Espirito, registrado na carta aos Gálatas (5.22-23). Vejamos: “Mas o fruto do Espirito é: Amor, gozo, paz,
longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, DOMINIO PROPRIO. Contra
estas coisas não há lei.
Partindo
desse princípio bíblico, o autocontrole ou domínio próprio é um dom ou fruto
concedido ao cristão pelo Espirito Santo, a fim de ajudá-lo a ter o domínio
sobre as suas próprias ações e reações.
Dominar
a si mesmo (o que não é uma tarefa fácil) deve ser uma das principais
características de um cristão e principalmente, de um líder em qualquer esfera
do poder. O autocontrole nos permite tomar decisões acertadas baseadas na
razão, na ética e na justiça.
Nesse
difícil processo de autocontrole, é importante aprender a controlar também a
mente, o corpo e o tempo. Quem não tem a capacidade de se autocontrolar,
dificilmente, dominará alguma coisa.
»
- Como um vencedor. Na primeira carta
aos Coríntios, Paulo faz uma análise do autocontrole, fazendo uma comparação
entre o cristão e um atleta profissional. Destacando algumas habilidades e
metas a serem alcançadas por ambos.
Ele
diz que os atletas profissionais correm nos estádios todos com o mesmo
objetivo, no entanto, só um leva o prêmio de vencedor. Assim como um lutador
profissional também luta para alcançar uma premiação chamada por ele de “coroa”. Dependendo da modalidade,
esportiva, pela qual compete, o vencedor pode receber como premiação uma
medalha, uma taca, um cinturão ou até mesmo uma premiação em dinheiro.
Assim
como os atletas, somos estimulados a fazer o mesmo na vida espiritual. A
diferença, no entanto, estar na premiação; enquanto os primeiros recebem
prêmios incorruptíveis, nós receberemos os incorruptíveis e eternos.
Em
seguida, Paulo cita o seu próprio exemplo afirmando não correr na incerteza e combater sem convicção “batendo no ar”, mas antes, subjugando o seu corpo e o reduzindo à
servidão, a fim de que no fim da luta não seja reprovado. 1. Co.9.24-27.
Uma
análise mais profunda do texto em foco, chegaremos à conclusão que tanto os
atletas profissionais como nós cristãos para alcançarmos nossas metas e
objetivos, precisamos desenvolver algumas habilidades importantes, tais como:
-
Correr como um vencedor – De tal maneira que alcanceis.
-
Fazer sacrifícios – De tudo se abstém.
-
Ter fé e confiança – Não como a coisa incerta.
-
Agir com inteligência e objetividade – Não como batendo no ar.
-
Ter domínio próprio e autocontrole – Subjugando o meu corpo e o reduzindo à
servidão.
Todas
essas habilidades mencionadas por Paulo, retratam uma ação, determinação
exercitadas com um objetivo maior e mais importante; alcançar a vitória
almejada, seja nas pistas de corrida, na corrida espiritual no exercício da fé ou
em outra área da vida.
Assim
como essas desportistas profissionais, nós cristãos igualmente devemos
exercitar nossas habilidades, dons e talentos concedidos por Deus e
distribuídos pelo Espirito Santo, a fim de alcançarmos o nosso objetivo
principal: a vida eterna e por fim,
premiações incorruptíveis entregues pelo próprio Senhor para os vencedores.
Saber controlar a si
mesmo serve como proteção, e evita muitos problemas e aborrecimentos para nós
mesmos e para os outros.
»
- Evitando as intimidades nas relações.
Dar
muita intimidade aos outros, cria uma verdadeira entrada para os problemas.
Talvez fosse pensando nisso que o sábio Salomão disse: “Aquele que não pode conter o seu espirito é como uma cidade elevada,
que não tem muros”. Pv.25.28.
Tanto
nas relações de trabalho, quanto nas sociais e espirituais, devem haver
limitações de intimidades. Não pense que porque uma pessoa trabalha com você
ela é sua amiga de verdade. Abrir o
coração e falar tudo o que está sentindo, pode lhe causar grandes problemas e
muita dor de cabeça. Da mesma forma, devemos evitar querer saber das
intimidades das outras pessoas.
No
texto citado acima, o autor diz que a pessoa que não consegue controlar o seu
espirito (emoções) é como uma cidade elevada, mas que não tem muros para a proteger.
Com isso, fica totalmente desprotegida, e vulnerável a invasões inimigas a
qualquer momento.
Isso
não significa, no entanto, que devamos nos tornar uma pessoa fria, seca ou
insensível com os problemas dos outros, mas pelo contrário, devemos nos
preocuparmos com eles. Apesar disso, devemos manter os muros de pé. Ele evita a
entrada de cobras, escorpiões e outros animais peçonhentos.
Na
nossa vida diária, seja no trabalho, na igreja, na família, no transito ou
mesmo em casa, é comum nos irritarmos com algo que não nos agrada ou não estar
de acordo com o que pensamos e queremos. Isso é uma reação natural do ser
humano, agora de que forma lidamos como ela é que faz toda a diferença.
Os
conflitos e desentendimentos, são inevitáveis em todos os lugares quando se
trata de relações humanas, às vezes, elas se tornam até necessárias para que
haja um entendimento. Conviver com outras pessoas é um desafio, o qual, só
poderá ser superado, mediante o diálogo, o amor, a compreensão e o autocontrole
individual.
»
- Aprendendo a lidar com os nossos
sentimentos e emoções.
Para
não sofrermos e fazermos as outras pessoas sofrerem, precisamos aprender a
lidar como nossos sentimentos e emoções, bem como compreender igualmente os
sentimentos dos outros.
Para
tanto, precisamos permitir a Deus nos conceder o domínio próprio, o qual, às
vezes é também entendido na Bíblia Sagrada como temperança. Esse importante
fruto do Espirito, estar diretamente relacionado à mansidão também citada na relação
dos frutos do Espirito Santo.
Jesus,
nosso maior exemplo de mansidão e domínio próprio, nos dá um importante
conselho, relacionado a esse princípio bíblico: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde
de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma”. Mt.11.29.
O
Mestre de Nazaré tinha autoridade para falar sobre o assunto, pois ele mesmo
deu muitas demonstrações de autocontrole quando lhe exigido tal reação. Podemos
citar por exemplo, quando ele foi traído por Judas Iscariotes, um dos seus
apóstolos no Jardim do Getsemani, fora dos muras de Jerusalém. Apesar de toda a angustia que sofreu, dominou
sua natureza humana e reagiu com calma e humildade, chamando o traidor de
amigo. Inclusive, acalmando os aflitos ocasionado pela tensão do momento.
Quando
foi cuspido, acoitado, escarnecido, blasfemado, agredido e crucificado, não
reagiu ou mesmo reclamou de estar sendo injustiçado, muito menos proferiu
palavras agressivas ou de maldição contra os seus executores, mas mante-se
calado, humilde, como uma ovelha levado para o abatedouro, não abriu a sua
boca.
Há
ainda muitos outros exemplos de autocontrole, praticados por Jesus durante o
desempenho do seu ministério terreno, por isso, Ele poderia nos recomendar com
muita propriedade: “Aprendei de mim, que
sou manso e humilde de coração”.
Por
outro lado, ausência de autocontrole, pode gerar intolerância, ações precipitadas,
discussões desnecessárias, entre outras ações e reações nocivas à uma relação
harmoniosa, as quais, podem gerar resultados negativos em nossas vidas.
Diante
da situação agravante, de violência e desentendimentos em que o mundo vive, é
importante, aprendermos agir como mansidão e domínio próprio em todas as circunstâncias
da vida. Mesmo que isso às vezes seja necessário, a humilhação e prejuízos. Conselho
este feito por Paulo e Tiago. (Gl.6.1; Tg.3.13).
Esteja
aberto aos bons relacionamentos. Não confundindo construir muros de proteção
com erguer muros nas relações. Alguns muros são benéficos, pois, como diz o
datado popular: “Uma boa cerca, produz
ótimos vizinhos”.

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