O
PRINCIPIO DO ACORDO
Acaso andarão dois juntos, se não
estiverem de acordo? ” Amos. 3.3.
O princípio do acordo remete à
construção de relações saudáveis e amistosas, fazer bons acertos, evitar
brigas, guerras, litígios desnecessários, buscar a paz sempre que possível e
respeitar a autoridade.
O
acordo é necessário em toas as circunstâncias da vida, até mesmo com os
adversários, muito mais ainda com parceiros, sócios, clientes internos e
externos, fornecedores, funcionários, chefes, companheiros, filhos, pais,
amigos, cônjuge e até conosco mesmo. Além de evitar problemas, serve também
para criar algo fundamental, criar uma rede de relacionamentos sinceros.
Amos
um dos profetas menores do Velho Testamento, nos seus escritos, faz uma
pergunta de fundamental importância, relacionada ao princípio do acordo. “Acaso andarão dois juntos se não estiverem
de acordo? ”. Am. 3.3. Segundo esse
pensamento dado pelo próprio Deus ao profeta, existem dois princípios importante
em análise no texto. O primeiro é a importância de duas pessoas andarem juntas
e o segundo, se elas estão de acordo ou não.
Na
primeira parte do versículo, a ideia está intimamente relacionada com a
comunhão. Ou seja, para que duas pessoas andem juntas é preciso haver comunhão
entre elas. Isto significa pensarem e decidirem juntas. Fala de unidade,
respeito às decisões um do outro, dialogo constante e o que é mais importante,
a confiança e o respeito mútuo.
Esse
princípio pode ser aplicado em várias áreas da nossa vida. Na nossa relação com
Deus em primeiro lugar, com os nossos pares no local de trabalho, na igreja com
os nossos irmãos, na relação com os filhos e o cônjuge.
Quando
Deus criou o homem no princípio, o fez com vários objetivos, no entanto, o
principal deles foi que este tivesse comunhão com Ele. Independente das
circunstâncias. A pesar disso, vemos no decorrer da história bíblica que as
criaturas de Deus sempre tomaram o caminho inverso, sempre procurando se
afastar do Criador.
A
primeira criatura a se afastar do criador foi Lúcifer, o querubim ungido, o
mais perfeito entre os demais da sua categoria angelical. Ela não apenas traiu
a confiança do Criador, como ainda convenceu milhares de arcanjos a também se
rebelarem. A partir do momento em que
houve a quebra de confiança, não havia mais como andarem juntos, haja vista não
haver comunhão entre as trevas e a luz. O resultado de tamanha insolência,
originou uma guerra no céu, culminando com a expulsão e condenação de Lúcifer e
todos os seus seguidores.
O
segundo caso dessa quebra de comunhão com o Criador ocorreu no jardim do Edem,
quando nossos primeiros pais Adão e Eva, resolveram desobedecer uma ordem
divina e comeram do fruto proibido. Como consequência, perderam a comunhão com
o Criador e ainda foram expulsos do jardim e receberam duras punições, entre
elas a morte, pela sua desobediência.
Os
israelitas, constantemente, quebravam essa relação de comunhão com o Criador,
quando de sua jornada no deserto, rumo à terra prometida e depois que entraram
nela. Como consequência, pagaram um alto preço. Primeiro, morrendo toda aquela
geração no deserto e com isso, não tiveram o privilégio de entrar na terra
prometida. Segundo, foram subjugados várias vezes pelos povos inimigos e
levados em cativeiro.
Eu
poderia citar muitos outros exemplos particulares de quebra de comunhão com
Deus, citados nas Escrituras, no entanto, não é esse o nosso objetivo nesse
capitulo. Mas mostrar que uma pessoa não pode andar em comunhão com Deus ou com
o próximo, se não estiver de acordo com ele.
√ - Relação e colaboração.
Quando
duas pessoas decidem andar juntas, há necessariamente, uma forte relação entre
elas, a qual, os une e os leva a pensarem, planejarem e lutarem pela sua
concretização juntas. Muitos esquecem que a colaboração – seja a nossa em relação
aos outros, ou vice e versa - aumenta
nossas perspectivas de êxito.
Especialistas
na área apontam três fases fundamentais no desenvolvimento, pessoal e
profissional das pessoas: Dependência, Independência
e Interdependência.
»
- Dependência. Ocorre quando uma
pessoa, seja um bebe ou um profissional em formação depende plenamente dos que
o cercam.
»
- Independência. Já adolescente ou
como profissional recém-formado, torna-se independente em suas tarefas
fundamentais. Já sabe o que fazer na maioria das situações.
»
- Interdependência. Ocorre quando uma
pessoa adulta ou um profissional de
alto nível certamente estará na etapa mais avançada. Nessa fase, a pessoa sabe
que precisa de muita gente e muita gente precisa dele.
Nesse
casso especificamente, só se mantem no topo aqueles que aprendem a cooperar com
os outros e a saber obter a cooperação dos demais, criando uma sinergia e um
ciclo virtuoso de desenvolvimento mutuo. Ninguém consegue chegar a lugar algum
isoladamente.
√ - Evitando conflitos.
Outro
ponto importante a ser considerado no princípio do acordo é a capacidade da
pessoa evitar conflitos desnecessários. Em uma relação saudável e confiável é
preciso evitar as demandas conflituosas.
Jesus
algumas vezes abordou esse importante princípio em seus ensinamentos. Ele diz
que em caso de conflitos com alguém devemos
entrar em acordo sem demora, enquanto ainda estamos com a pessoa conflituosa,
para que o adversário não o entregue ao Juiz, e este ao oficial de justiça, e
com isso, sejas recolhido à prisão. Mt.5.25.
Sabemos
que nas nossas relações diárias, seja no trabalho, na igreja, no ministério ou
mesmo no lar, sempre haverá divergências em algum momento. Nem sempre as
pessoas embora andando juntas, pensam da mesma forma, tem os mesmos gostos,
sentimentos, personalidades ou temperamentos, o que é normal e compreensível.
No
texto mencionado acima, Jesus aconselha as pessoas a resolverem suas diferenças
quanto antes, ou enquanto ainda estão caminhando juntas, a fim de evitar
demandas judiciais, e com sofra alguma punição desnecessária.
Na
verdade, o Mestre estava nos orientando a evitar conflitos e buscar sempre que
possível, a paz e a reconciliação com o próximo, não permitindo que o
sentimento de ódio e vingança possa prevalecer em nossos corações. Uma boa
conversa levará ao entendimento e à resolução do problema, fazendo com que a
paz possa reinar entre as partes envolvidas nele.
O
apostolo São Paulo também deu ênfase ao princípio do acordo e da resolução
pacifica dos conflitos, quando escreve sua carta aos cristãos de Filipos: “Nada façais por contenda ou vangloria, mas
por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo”. Fl.2.3.
O
autor aqui não está afirmando que devemos abrir mão da autoridade ou dignidade,
mas que não devemos fomentar conflitos ou agir com soberba, mas sempre buscar relações
amigáveis e pacificas.
Quando
assumimos uma posição de superioridade hierárquica, não é recomendável e nem
necessário exercer nosso poder com truculência ou grosseria. Todo mundo
valoriza as pessoas que buscam a solução pacifica dos conflitos, e ver com
restrição aqueles que em vez de fazer acordos, fomentam mais problemas.
Uma
boa maneira de não se envolver em contendas e firmar bons acordos de paz e boa
convivência com as pessoas com quem lidamos é usando sempre a descrição. Vejamos
o que Paulo fala sobre o assunto na segunda carta, escrita a seu filho na fé
Timóteo: “O servo do Senhor não deve
contender, mas ser amável para com todos”. 2. Tm. 2.24.
É
muito difícil lidar com uma pessoa propensa a contendas. Esse tipo de
comportamento é nocivo às boas relações em todos os ambientes de convivência.
Não
deixe que as pessoas cansem de você ou o considerem um “chato”, um “chiclete”.
Saia de cena antes de ser convidado a fazê-lo. Não se mostre íntimo de quem
ainda não lhe deu intimidade.
Uma
das formas bíblicas de evitar essas inconveniências é sendo amável para com
todos, só assim estará evitando muitos problemas para si e para as pessoas à
sua volta.
Sabendo
disso, o sábio Salomão aconselha: “Não
facas visitas frequentes à casa do seu vizinho para que não se canse de você e
passe a odiá-lo”. Pv. 25.17.
Fazer
uma visita amistosa à casa de um amigo, uma vez o outra quando houver
necessidade é compreensível, no entanto, quando elas se tornam frequentes,
causam um mal-estar, e o dono ou dona da casa começam a aborrece-lo, como o
tempo, não será mais bem-vindo. Isso e falta de sabedoria e respeito a
privacidade das pessoas.
Evitar
brigas e contendas, além de sábio e prudente é também uma demonstração de
educação e respeito às pessoas. Por incrível que pareça, ao ser atacado, a
melhor defesa é não revidar. Este é um método simples e eficiente, mas que
exige muita disciplina e concentração.
“ Honroso é para o homem o desviar-se de
questões; mas o insensato se entremete nelas”. Pv.20.3. Assim como a resposta calma desvia a fúria, mas a palavra
ríspida desperta a ira. Pv.15.1.
Ao
pregar a paz e não a guerra, você se torna mais agradável, trilha um caminho
mais leve e sobretudo, não perde o foco, que sempre produzir e não criar
contendas com os outros.
Quando um não
quer, dois não brigam.
Quando
assumimos uma postura pacifica e buscamos o acordo e não as contendas, temos
maiores possibilidades de vivermos em paz com Deus, com o próximo e conosco
mesmo. Nos tornamos mais produtivos e compreensíveis com os problemas do
próximo.

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