Páginas

terça-feira, 22 de outubro de 2019

O PRINCIPIO DO ACORDO


O PRINCIPIO DO ACORDO

Acaso andarão dois juntos, se não estiverem de acordo? ” Amos. 3.3.

            O princípio do acordo remete à construção de relações saudáveis e amistosas, fazer bons acertos, evitar brigas, guerras, litígios desnecessários, buscar a paz sempre que possível e respeitar a autoridade.
O acordo é necessário em toas as circunstâncias da vida, até mesmo com os adversários, muito mais ainda com parceiros, sócios, clientes internos e externos, fornecedores, funcionários, chefes, companheiros, filhos, pais, amigos, cônjuge e até conosco mesmo. Além de evitar problemas, serve também para criar algo fundamental, criar uma rede de relacionamentos sinceros.
Amos um dos profetas menores do Velho Testamento, nos seus escritos, faz uma pergunta de fundamental importância, relacionada ao princípio do acordo. “Acaso andarão dois juntos se não estiverem de acordo? ”. Am. 3.3.  Segundo esse pensamento dado pelo próprio Deus ao profeta, existem dois princípios importante em análise no texto. O primeiro é a importância de duas pessoas andarem juntas e o segundo, se elas estão de acordo ou não.
Na primeira parte do versículo, a ideia está intimamente relacionada com a comunhão. Ou seja, para que duas pessoas andem juntas é preciso haver comunhão entre elas. Isto significa pensarem e decidirem juntas. Fala de unidade, respeito às decisões um do outro, dialogo constante e o que é mais importante, a confiança e o respeito mútuo.
Esse princípio pode ser aplicado em várias áreas da nossa vida. Na nossa relação com Deus em primeiro lugar, com os nossos pares no local de trabalho, na igreja com os nossos irmãos, na relação com os filhos e o cônjuge.
Quando Deus criou o homem no princípio, o fez com vários objetivos, no entanto, o principal deles foi que este tivesse comunhão com Ele. Independente das circunstâncias. A pesar disso, vemos no decorrer da história bíblica que as criaturas de Deus sempre tomaram o caminho inverso, sempre procurando se afastar do Criador.
A primeira criatura a se afastar do criador foi Lúcifer, o querubim ungido, o mais perfeito entre os demais da sua categoria angelical. Ela não apenas traiu a confiança do Criador, como ainda convenceu milhares de arcanjos a também se rebelarem.  A partir do momento em que houve a quebra de confiança, não havia mais como andarem juntos, haja vista não haver comunhão entre as trevas e a luz. O resultado de tamanha insolência, originou uma guerra no céu, culminando com a expulsão e condenação de Lúcifer e todos os seus seguidores.
O segundo caso dessa quebra de comunhão com o Criador ocorreu no jardim do Edem, quando nossos primeiros pais Adão e Eva, resolveram desobedecer uma ordem divina e comeram do fruto proibido. Como consequência, perderam a comunhão com o Criador e ainda foram expulsos do jardim e receberam duras punições, entre elas a morte, pela sua desobediência.
Os israelitas, constantemente, quebravam essa relação de comunhão com o Criador, quando de sua jornada no deserto, rumo à terra prometida e depois que entraram nela. Como consequência, pagaram um alto preço. Primeiro, morrendo toda aquela geração no deserto e com isso, não tiveram o privilégio de entrar na terra prometida. Segundo, foram subjugados várias vezes pelos povos inimigos e levados em cativeiro.
Eu poderia citar muitos outros exemplos particulares de quebra de comunhão com Deus, citados nas Escrituras, no entanto, não é esse o nosso objetivo nesse capitulo. Mas mostrar que uma pessoa não pode andar em comunhão com Deus ou com o próximo, se não estiver de acordo com ele.
√ - Relação e colaboração.
Quando duas pessoas decidem andar juntas, há necessariamente, uma forte relação entre elas, a qual, os une e os leva a pensarem, planejarem e lutarem pela sua concretização juntas. Muitos esquecem que a colaboração – seja a nossa em relação aos outros, ou vice e versa -  aumenta nossas perspectivas de êxito.
Especialistas na área apontam três fases fundamentais no desenvolvimento, pessoal e profissional das pessoas: Dependência, Independência e Interdependência.  
» - Dependência. Ocorre quando uma pessoa, seja um bebe ou um profissional em formação depende plenamente dos que o cercam.
» - Independência. Já adolescente ou como profissional recém-formado, torna-se independente em suas tarefas fundamentais. Já sabe o que fazer na maioria das situações.
» - Interdependência. Ocorre quando uma pessoa adulta ou um profissional de alto nível certamente estará na etapa mais avançada. Nessa fase, a pessoa sabe que precisa de muita gente e muita gente precisa dele.
Nesse casso especificamente, só se mantem no topo aqueles que aprendem a cooperar com os outros e a saber obter a cooperação dos demais, criando uma sinergia e um ciclo virtuoso de desenvolvimento mutuo. Ninguém consegue chegar a lugar algum isoladamente.
√ - Evitando conflitos.
Outro ponto importante a ser considerado no princípio do acordo é a capacidade da pessoa evitar conflitos desnecessários. Em uma relação saudável e confiável é preciso evitar as demandas conflituosas.
Jesus algumas vezes abordou esse importante princípio em seus ensinamentos. Ele diz que em caso de conflitos com alguém devemos entrar em acordo sem demora, enquanto ainda estamos com a pessoa conflituosa, para que o adversário não o entregue ao Juiz, e este ao oficial de justiça, e com isso, sejas recolhido à prisão. Mt.5.25.
Sabemos que nas nossas relações diárias, seja no trabalho, na igreja, no ministério ou mesmo no lar, sempre haverá divergências em algum momento. Nem sempre as pessoas embora andando juntas, pensam da mesma forma, tem os mesmos gostos, sentimentos, personalidades ou temperamentos, o que é normal e compreensível.
No texto mencionado acima, Jesus aconselha as pessoas a resolverem suas diferenças quanto antes, ou enquanto ainda estão caminhando juntas, a fim de evitar demandas judiciais, e com sofra alguma punição desnecessária.
Na verdade, o Mestre estava nos orientando a evitar conflitos e buscar sempre que possível, a paz e a reconciliação com o próximo, não permitindo que o sentimento de ódio e vingança possa prevalecer em nossos corações. Uma boa conversa levará ao entendimento e à resolução do problema, fazendo com que a paz possa reinar entre as partes envolvidas nele.
O apostolo São Paulo também deu ênfase ao princípio do acordo e da resolução pacifica dos conflitos, quando escreve sua carta aos cristãos de Filipos: “Nada façais por contenda ou vangloria, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo”. Fl.2.3.
O autor aqui não está afirmando que devemos abrir mão da autoridade ou dignidade, mas que não devemos fomentar conflitos ou agir com soberba, mas sempre buscar relações amigáveis e pacificas.
Quando assumimos uma posição de superioridade hierárquica, não é recomendável e nem necessário exercer nosso poder com truculência ou grosseria. Todo mundo valoriza as pessoas que buscam a solução pacifica dos conflitos, e ver com restrição aqueles que em vez de fazer acordos, fomentam mais problemas.
Uma boa maneira de não se envolver em contendas e firmar bons acordos de paz e boa convivência com as pessoas com quem lidamos é usando sempre a descrição. Vejamos o que Paulo fala sobre o assunto na segunda carta, escrita a seu filho na fé Timóteo: “O servo do Senhor não deve contender, mas ser amável para com todos”. 2. Tm. 2.24.
É muito difícil lidar com uma pessoa propensa a contendas. Esse tipo de comportamento é nocivo às boas relações em todos os ambientes de convivência.
Não deixe que as pessoas cansem de você ou o considerem um “chato”, um “chiclete”. Saia de cena antes de ser convidado a fazê-lo. Não se mostre íntimo de quem ainda não lhe deu intimidade. 
Uma das formas bíblicas de evitar essas inconveniências é sendo amável para com todos, só assim estará evitando muitos problemas para si e para as pessoas à sua volta.
Sabendo disso, o sábio Salomão aconselha: “Não facas visitas frequentes à casa do seu vizinho para que não se canse de você e passe a odiá-lo”. Pv. 25.17.
Fazer uma visita amistosa à casa de um amigo, uma vez o outra quando houver necessidade é compreensível, no entanto, quando elas se tornam frequentes, causam um mal-estar, e o dono ou dona da casa começam a aborrece-lo, como o tempo, não será mais bem-vindo. Isso e falta de sabedoria e respeito a privacidade das pessoas.
Evitar brigas e contendas, além de sábio e prudente é também uma demonstração de educação e respeito às pessoas. Por incrível que pareça, ao ser atacado, a melhor defesa é não revidar. Este é um método simples e eficiente, mas que exige muita disciplina e concentração.
Honroso é para o homem o desviar-se de questões; mas o insensato se entremete nelas”. Pv.20.3. Assim como a resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira. Pv.15.1.
Ao pregar a paz e não a guerra, você se torna mais agradável, trilha um caminho mais leve e sobretudo, não perde o foco, que sempre produzir e não criar contendas com os outros.
Quando um não quer, dois não brigam.
Quando assumimos uma postura pacifica e buscamos o acordo e não as contendas, temos maiores possibilidades de vivermos em paz com Deus, com o próximo e conosco mesmo. Nos tornamos mais produtivos e compreensíveis com os problemas do próximo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário